Mães são feitas para se sentirem culpadas por suas escolhas em relação à amamentação?

Nova pesquisa, realizada pela Universidade de Liverpool, mostra que as mães podem experimentar emoções negativas como a culpa, o estigma e a necessidade de defender suas escolhas de alimentação, independentemente de como elas alimentam seus bebês.

Pesquisadores do Liverpool Infant Feeding Group (LIFe) do Instituto de Psicologia, Saúde e Sociedade da Universidade, liderados pelo Dr. Jo Harrold, realizaram uma série de estudos para identificar as experiências emocionais e as práticas das mães que amamentam exclusivamente, usam fórmulas ou usam uma combinação de aleitamento e fórmula.

Os estudos, que foram publicados no Journal of Maternal and Child Nutrition, incluem as experiências de mais de 1.600 mães com crianças de até 26 semanas de idade. Todas as mães foram convidadas a preencher um questionário on-line onde forneceram respostas que refletem suas experiências emocionais e práticas de alimentação infantil.

Para identificar diferenças nas experiências, elas também foram perguntadas sobre como alimentam atualmente seus bebês e como elas planejaram alimentá-los durante a gravidez.

Estigmatizada e se sentindo culpada

Na amostra global de mães que alimentam os bebês com fórmula, 67% declararam sentir culpa, 68% sentiram-se estigmatizadas e 76% sentiram a necessidade de defender sua escolha de alimentação. As mães que iniciaram o aleitamento materno exclusivo, mas pararam, e as mães que pretendiam amamentar exclusivamente, durante a gravidez, estavam em um risco muito maior de sentir culpa.

Para as mães que amamentavam, as experiências emocionais negativas não ocorreram com tanta frequência, mas continuaram presentes, particularmente para aquelas que suplementaram a amamentação com fórmula. Curiosamente, os membros da família e a amamentação em público pareciam ser a principal fonte externa dessas emoções. Voltar ao trabalho também foi uma preocupação comum levantada por mães que estavam amamentando exclusivamente.

Uma análise mais aprofundada das respostas, tanto das mulheres que amamentam, quanto das que alimentam os filhos com fórmulas, revelou que a culpa e a insatisfação estavam diretamente associadas com a forma como elas escolheram alimentar seus bebês. Estas experiências emocionais eram muito mais comuns naquelas que suplementam ou que substituem o aleitamento pela fórmula.

Estado emocional

Uma das pesquisadoras do estudo, Sophia Komninou, destaca: “as mulheres que amamentam se sentem estressadas por negligenciar o resto da família e outras obrigações, ao passo que as mulheres que não amamentam sentem uma sensação de culpa por alimentar seu filho com algo sub-ótimo. As mães sentem vergonha de ter que explicar aos outros porque elas não estão amamentando, o que as faz pensar que elas ‘estão falhando’ ao não alcançar o estatuto socialmente construído da ‘boa mãe’.  O estudo demonstra uma ligação entre as atuais estratégias de promoção da amamentação e o estado emocional das mães”.

 

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