“Naturalidade” da amamentação pode não ser o melhor atributo para uma campanha

As campanhas que exaltam a amamentação como a forma “natural” de alimentar uma criança podem ser prejudiciais na tomada de decisões de alguns pais sobre outras questões de saúde importantes, defende um estudo publicado no Pediatrics. 

Na coluna Perspectives, da edição de abril do Pediatrics, escrita por Jessica Martucci e Anne Barnhill, as pesquisadoras de ética médica e políticas de saúde advertem que a mensagem joga com uma perspectiva poderosa: a de que abordagens naturais são melhores para a saúde. A promoção do aleitamento materno, desta forma, coloca em xeque práticas de saúde importantes, indiretamente rebaixadas, não vistas como naturais, como a vacinação infantil, em particular.

Martucci e Barnhill citam o surto de sarampo de 2014-2015 como um exemplo. Alguns pais e outros que se opõem à vacinação expressaram suas convicções de que “a imunidade natural” é melhor do que a fabricada e, portanto, a vacinação é “não natural”. Mas os pesquisadores observam que todas as autoridades médicas credíveis acreditam que negar às crianças essas vacinas representa riscos desnecessários à saúde.

Martucci e Barnhill escrevem que, enquanto as autoridades de saúde pública e os médicos especialistas concordam amplamente que a amamentação é benéfica para ambas, crianças e mães, tem havido pouca discussão sobre as consequências potencialmente prejudiciais de promoção do aleitamento materno como natural.

Além da vacinação, as autoras citam outros exemplos da falácia que “natural é automaticamente melhor”, incluindo a rejeição aos alimentos geneticamente modificados, a preferência aos alimentos orgânicos aos alimentos cultivados convencionalmente, a rejeição às tecnologias de reprodução assistida, bem como as preocupações de longa data sobre a fluoretação da água.

Exemplos de campanhas citando a amamentação como natural, e, portanto, implicitamente superior, dizem as autoras, são muitos. Elas defendem que, além de levar à generalização relacionada à saúde por alguns pais, a “amamentação é natural” pode inadvertidamente apoiar argumentos biologicamente deterministas sobre os papéis de homens e mulheres na família (por exemplo, que as mulheres devem ser a principal cuidadores de crianças).

Martucci e Barnhill concluem: devemos pensar duas vezes antes de referenciar o termo “natural” na promoção da amamentação. Devemos pensar um pouco mais sobre isso.

 

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