Taxa de aleitamento materno exclusivo até o 6º mês na Inglaterra é de 1%

03 MOISES BEBE

Não! Você não leu errado. É isso mesmo. Essa estatística está motivando pesquisadores a tentarem entender onde está o problema.

Um estudo publicado no Journal of Health Visiting buscou uma forma de investigar a experiência dessas mães que seguem a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), considerando suas motivações iniciais, as barreiras enfrentadas e o que fizeram para superá-las.

Foram recrutadas 7 mães, através de um grupo de suporte ao aleitamento materno (AM), que forneceram informações sobre intenção, duração e comprometimentos em relação ao aleitamento materno.

A dor ao amamentar e a falta de apoio foram os problemas mais relacionados à pequena duração do AM. O comprometimento foi positivamente influenciado pelo apoio dos parceiros, determinação pessoal e consciência da importância do ato.

Os programas de apoio, tanto pré quanto pós-natais, a participação da família e os métodos de promoção e adequação das informações às mães que amamentam são fatores importantes para ampliar a pesquisa.

Outra pesquisa, ainda em andamento (2014 a 2017), se debruça sobre os dados de que embora 80% das mães iniciem o AM no Reino Unido, menos de 50% estão praticando o aleitamento materno exclusivo (AME) após uma semana e 1% dos bebês estão em AME aos 6 meses. A maioria das mulheres interrompe o AM antes do que planejaram.

A proposta é o desenvolvimento de uma nova forma de intervenção que use entrevistas motivacionais para abordar mães que são jovens ou vivam em condições desfavoráveis para que elas continuem a amamentar. Segundo os pesquisadores, a motivação, a confiança e o apoio social são aspectos importantes na mudança dos comportamentos de saúde.

Apesar de reconhecerem a importância do AM, a forma de abordagem da situação na Inglaterra não é das mais apropriadas. Assim como já acontece nos Estados Unidos e no Canadá, no Reino Unido a comercialização de leite materno pela Internet passou a ser a forma que as mães encontraram para suprir “essa falta de AM”.

O fato de ainda não ser regulamentado faz com que o comércio de leite pela Internet seja perigoso e coloque a saúde dessas crianças em risco. Nos Estados Unidos, vários sites (Only the Breast) é um dos mais famosos, com 7500 mães cadastradas, desde 2010,  que disponibilizam o leite materno, sem nenhum cuidado, por um custo de até 4 dólares por 30 ml.

Entretanto, esse leite não tem nenhuma garantia. Ele não é pasteurizado (apesar de nos sites salientarem essa importância e orientarem um “processo caseiro”). Ele não é testado para doenças (Hepatite B e C, HIV, HTLV, sífilis e outras).  Ele não tem um padrão de coleta, armazenamento e transporte. Isso aumenta a presença de bactérias e até estudos recentes mostraram muitas amostras com a presença de leite de vaca, drogas e outras substâncias.  (Leia post que já fizemos sobre o tema: (https://euapoioleitematerno.wordpress.com/2015/04/16/sites-comercializam-de-maneira-ilegal-leite-materno-a-pratica-e-proibida/).

A legislação no Brasil proíbe a comercialização de tecidos, órgãos e fluidos corporais, como leite, sangue e saliva. Desde 1993, o Ministério da Saúde também proíbe o que é conhecido como amamentação cruzada (uma mãe amamentar o filho que não seja o seu, prática antiga da ama-de-leite).

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