Comércio de leite materno: “cuidado com a prática”

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O leite materno é o “padrão ouro” na alimentação infantil. E isso não passou despercebido por determinados grupos de adultos – pacientes com câncer, fisiculturistas, fetichistas – que não têm acesso a esse tipo de nutriente de forma livre.

Além disso, nem todas as mães, por alguma razão, conseguem amamentar e, movidas pela campanha de informação sobre os benefícios do leite materno e dos riscos do uso de fórmulas infantis, buscam o melhor para seus filhos. Porém, nem sempre essas mães fazem parte do grupo elegível para receber o leite materno doado nos bancos de leite.

Procura gera oferta. Criou-se, assim, um cenário perfeito para que o produto – no caso o leite materno – seja visto como uma fonte de lucro, com a Internet sendo a fonte mais ágil e difundida para essa comercialização, que, apesar de à primeira vista parecer saudável e segura, pode trazer riscos inimagináveis a quem os procura para consumo, especialmente as crianças.

Segundo matéria recente, publicada no British Journal of Medicine, sites de comercialização de leite humano conseguem “vender” o produto por preços mais acessíveis do que os estabelecidos em bancos de leite (que são regulamentados), por não terem custos com pasteurização e testagem do “produto” em relação à contaminação na coleta, armazenamento e distribuição.

Diferente do que é exigido nos bancos de leite regulamentados, o leite humano comercializado pelos sites não passa por testagem sorológica (hepatite B e C, HIV, sífilis) colocando em risco a transmissão dessas doenças.

Um estudo  publicado no Pediatrics comparou amostras de leite doado a bancos de leite, sem pasteurização (20 amostras) com as que foram adquiridos on-line, pela internet (101). Os resultados apontavam para um aumento de todo o tipo de bactérias nas amostras adquiridas pela Internet. O citomegalovírus foi encontrado em 21% das amostras não controladas, contra apenas 5% das amostras dos bancos de leite. Apenas 9, entre as 101 amostras da Internet, não apresentavam qualquer crescimento bacteriano, consequência do manejo inadequado.

Como o leite humano comercializado na Internet não é fiscalizado, em algumas amostras, em outros estudos, já foram encontrados bisfenol, drogas ilícitas e mistura com leite de vaca e água para aumentar o volume. 

Com esse panorama e o risco da ‘importação’ dessa prática no Brasil (se é que ela já não existe), é fundamental a participação dos profissionais de saúde, acolhendo as mães para que elas se sintam confortáveis e seguras em compartilhar seus problemas e dificuldades em relação à amamentação. 

Diante do questionamento das mães, os profissionais de saúde precisam fornecer respostas embasadas. As informações sobre possibilidades mais saudáveis e seguras nesses casos podem ser transmitidas em consultas com os pediatras, bem como uma forma correta e recomendada de coleta, armazenamento e reaproveitamento do leite materno, sempre lembrando que, no Brasil, a amamentação cruzada é proibida por lei. O leite materno testado e tratado de forma apropriada nos bancos de leite é a segunda melhor opção na alimentação infantil, ‘perdendo’, apenas, para o leite da própria mãe.

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