Dia das Mães: pediatra lança Movimento #euapoioleitematerno

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Imagine-se no meio de uma rodinha de mães com seus bebês, todos em idade de aleitamento materno…. Amamentar é tão natural, tão fácil, tão bonito, não é? No entanto, veja os depoimentos delas em relação “às falas da família, da sociedade e dos profissionais de saúde sobre o tema”:

Mãe 01:

“Seu bebê precisa parar de mamar para você ter mais liberdade!” 

Mãe 02: 

“Ela te sugou inteira, por isso que você está tão magrinha assim e com cara de anêmica”.

Mãe 03:

“Para vocês terem uma ideia, quando meu filho nasceu logo veio o colostro e minha sogra falava para eu tira e jogar fora porque era muito grosso e dizia ser o ‘leite ruim’… Eu sofri muito e acabei cedendo algumas vezes por falta de informação… Ela falava que eu tinha que tirar ‘o leite ruim’ para vir o leite branco que era ‘o bom’… Não me perdoo até hoje por isso”. 

Mãe 04:

Quiseram oferecer fórmula pro meu filho ainda na maternidade, pois eu tinha mamilos invertidos e ele ainda não tinha mamado, bati o pé e tirei o colostro numa seringa e dei pra ele beber de copinho”.

Mãe 05:

Minha dermatologista e meu oftalmologista me perguntaram o porquê de continuar amamentando, que devia ser por chamego meu, porque o leite já não servia, ela tinha 10 meses. E falaram ainda que ‘acham horrível criança andando e mamando’”.

Amamentação: a vida como ela é…

“Ao ler as declarações das mães – todas reais, retiradas de grupos virtuais de mães dos quais participo ativamente – nos deparamos com o que eu chamo de ‘Amamentação: a vida como ela é’… Talvez, pela falta de apoio, de informação, de compreensão e até mesmo de carinho, o Brasil tenha estatísticas tão pouco animadoras em relação ao aleitamento materno”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Confira:

  • Taxa de aleitamento na sala de parto: 65%;
  • Média de aleitamento materno exclusivo no Brasil é de 51 dias;
  • Apenas 41% das crianças estão em aleitamento materno exclusivo aos 6 meses;
  • Média de duração de aleitamento materno no Brasil é de 11 meses e 20 dias.

“A Organização Mundial de Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Ministério da Saúde, o UNICEF, a Academia Americana de Pediatria, dentre muitas outras entidades médicas são enfáticas ao recomendar: aleitamento materno desde a sala de parto (na primeira hora de vida), exclusivo e em livre-demanda até o 6° mês e estendido até os 02 anos ou mais. Estamos bem longe disso e envoltos num universo de dúvidas e preconceitos em relação ao tema”, diz o médico.

O que está acontecendo? O que ainda falta?

A primeira semana de agosto, Semana Mundial de Aleitamento Materno, é dedicada ao aleitamento materno no mundo todo. Na 23ª edição desse evento global, em 2015, o tema a ser trabalhado é “Breastfeeding and work: Let’s make it work”.  No Brasil, já há algum tempo, falamos em um Agosto Dourado: uma iniciativa para se falar e divulgar o aleitamento materno.

“Em mais de três décadas de prática médica, sempre fiz questão de comemorar a Semana Mundial de Aleitamento Materno, trabalhando as questões sociais propostas pela campanha global. No entanto, percebia que depois da primeira semana de agosto, o tema aleitamento materno saia de pauta, não era mais o foco das atenções. Exatamente por conhecer tão de perto as dúvidas e dificuldades das mães e de seus bebês, decidi, com toda a ousadia e por conta própria, mas também com toda boa vontade e pureza de propósitos do mundo, lançar o Movimento #euapoioleitematerno. Isso mesmo! Este será o primeiro de muitos anos em que vou falar diariamente a respeito de aleitamento materno. Esse é um compromisso público”, diz o médico, que também é autor do blog #euapoioleitematerno.

Segundo Chencinski, “a ideia é a criação de um movimento em prol do aleitamento materno que congregue mães (adotivas, naturais, de coração), jornalistas, governantes (municipais, estaduais e federais), blogueiras, formadores de opinião, famílias (de todos os tipos), empresários que empregam mulheres, mães trabalhadoras, profissionais de saúde, em última instância, toda a sociedade”, conta.

Movimento #euapoioleitematerno 

O que aconteceria se durante um ano (maio de 2015 – maio de 2016) pudéssemos abordar, todos os dias, a importância do aleitamento materno? Certamente, iríamos inundar o país de leite materno! “Esse é o pensamento que norteou a criação do Movimento #euapoioleitematerno. Todos os que queiram se juntar a esse movimento estão convidados a participar. A missão não é fácil, mas acredito que os benefícios sociais superem em muito as dificuldades com as quais vamos nos deparar. Juntos, vamos, tanto apoiar, quanto organizar eventos com e para as mães que amamentam na cidade de São Paulo, buscando, sempre, a sensibilização e o empoderamento em relação ao aleitamento materno”, afirma o pediatra Moises Chencinski.

De acordo com o médico, “o Movimento #euapoioleitematerno irá tocar em todos os assuntos relativos ao aleitamento materno, ouvirá todas as ideias, unirá esforços, cutucará feridas. Todos juntos. Nem um dia sequer se passará sem uma palavra sobre aleitamento materno. Já escolhemos nossas ferramentas: o blog #euapoioleitematerno, a fanpage, o instagram, o Twitter e um canal de vídeos no You Tube”, conta.

Dentre os temas que serão abordados pelo Movimento #euapoioleitematerno, destacam-se: 

  1. Orientação sobre aleitamento desde o pré-natal;
  2. Por que o Brasil tem tão poucos hospitais amigos da criança?;
  3. Menos mamadeiras e fórmulas infantis nas maternidades;
  4. Importância do aleitamento na sala de parto, na primeira hora de vida;
  5. Pediatras e outros profissionais de saúde precisam aprender mais sobre a importância do aleitamento materno;
  6. Amamentação em público: mães amamentando quando e onde quiserem, sem serem julgadas ou até humilhadas por conta disso;
  7. Licença-maternidade real de 6 meses;
  8. Licença-paternidade menos indigna (atuais 5 dias);
  9. Por que temos tão poucas salas de amamentação nas empresas para retirada e estocagem adequadas de leite materno?;
  10. Por que a brasileira não doa leite materno? Não há estímulo ou ela não sabe como doar?;
  11. Como funcionam os bancos de leite?;
  12. Quais os medicamentos e substâncias que as mães não devem usar enquanto estiverem amamentando?;
  13. Quando realmente é impossível para uma mulher amamentar?.

O médico destaca que seu maior objetivo é estimular, sensibilizar, de forma positiva e sem agressões, sem ameaças, sem discriminações o aleitamento materno. “Quem quiser pode se unir ao Movimento #euapoioleitematerno. Mães que amamentam e mães que não amamentam têm a mesma voz. Ninguém é menos mãe ou mais mãe por amamentar ou por não amamentar. Quem não amamentou ou não amamenta hoje pode, em uma próxima gestação, vir a amamentar. E mesmo que não haja uma próxima oportunidade, qualquer mãe, qualquer mulher, qualquer pessoa (inclusive homens) pode ser um multiplicador das nossas informações”, defende Moises Chencinski.

Diálogo e informação 

No blog #euapoioleitematerno, o pediatra disponibilizará os eventos que serão realizados na cidade de São Paulo, bem como formas de apoio e de patrocínio do projeto.

“Cada manifestação de apoio será comemorada e estimulada. E quem quiser sugerir um post, uma atividade, não deve se acanhar! Encaminhe sua contribuição. Teremos o maior prazer em divulgar. Ao final de um ano, vamos avaliar quantas pessoas foram atingidas pelo movimento que faremos juntos. Vamos não só fazer a diferença. Vamos ser a diferença. Declaro então, nesse dia 10 maio de 2.015, abertas as atividades do Movimento #euapoioleitematerno”, diz Moises Chencinski.

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4 comentários sobre “Dia das Mães: pediatra lança Movimento #euapoioleitematerno

  1. flavia cristina disse:

    Tenho apoio do meu esposo…isso é o que importa…sou muito criticada por amamentar minha filha de 2 anos e 9 meses…Não encontro pediatras favorável….mas faço cara de paisagem…eu faço as regras…eu amo minha filha…EU AMO AMAMENTAR

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mônica disse:

    Meu sonho sempre foi ser mãe e amamentar, ficava imaginando como seria muito bom. Hoje tenho 2 filhos, a primeira com 10 anos nasceu de cesária, com 40 semanas completas e sem sinais de trabalho de parto me disseram que ela iria “passar da hora”. O segundo com 2 anos nasceu de parto normal com 39 semanas completas. Entre os dois perdi um bebê com 18 semanas de gestação. Foram todas gestações maravilhosas que me recordo com muita saudade. Infelizmente em nenhum dos dois tive a oportunidade de amamentar na sala de parto, mas tão logo vieram para o quarto comigo eles mamaram no peito. Meu marido conhecia o meu sonho de amamentar e na primeira filha teve medo de não dar certo pois ele ficou com medo da cesária interferir em algo. Ela mamou exclusivamente no peito até os 5 meses (e como mamava), não tive qualquer problema com a amamentação (dor, rachadura…), foi para a creche em tempo integral com essa idade e voltei a trabalhar, e continuou mamando até os 3 anos e meio. Minha família sempre me apoiou, mas de vez em quando ouvi comentários do tipo “ela está te sugando” ou “o leite não tem mais nenhum valor”. Como ela gostava muito de mamar, eu a amentava em qualquer lugar, mamou na rua, em festas, em restaurante… se alguém me olhou de cara feia ou fez algum comentário eu não vi, pois não estava preocupada com eles e sim com a minha relação com ela. O meu filho de 2 anos está seguindo pelo mesmo caminho, a diferença é que tive problemas no início da amamentação, o bico do peito rachou e feriu, sofri umas 3 semanas para dar de mamar e então descobri que ele estava com o lábio inferior na posição incorreta, comecei a ajustar a posição da boca dele a toda mamada, o bico sarou e ele aprendeu a posição correta, ele mamou exclusivamente até os 6 meses, mas não tem tanto desespero pelo peito como a mais velha tinha, ele continua mamando e pretendo manter até quando estiver bom para nós dois. Amamentar é possível e muito bom para o bebê e para a família, o bebê ganha em qualidade de alimento e afeto, a família ganha em afeto e não precisar gastar com fórmulas caras. Por que não amamentar?

    Curtido por 1 pessoa

    • Doutor Moises Chencinski disse:

      Mônica, vou repetir sua fala que é ótima:

      Amamentar é possível e muito bom para o bebê e para a família, o bebê ganha em qualidade de alimento e afeto, a família ganha em afeto. Por que não amamentar?

      É importante que se conheça a respeito da importância do aleitamento e para isso só mesmo a informação.

      Ninguém é “menos mãe” ou “mais mãe” por amamentar. Sem culpas.

      Mesmo sem amamentar, não há como negar a importância do leite materno.

      Agradeço sua confiança por compartilhar conosco sua experiência

      Curtir

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