Aleitamento materno e QI: do Brasil para o mundo

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Um estudo realizado em Pelotas, por pesquisadores brasileiros – Dr. Bernardo Lessa Horta e Prof. Cesar G. Victora – de reconhecida atuação na área, chamou a atenção do mundo pela sua metodologia e conclusões.

Publicado no THE LANCET – Global Health (17/03/2015), o estudo realizado no Brasil, relacionou o aleitamento materno (AM) e sua duração com inteligência, capacidade educacional e ganhos financeiros, acompanhando, por 30 anos, 3493 (entre 5914) recém-nascidos, desde 1982, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul.

As avaliações começaram em 5 maternidades, foram tabulados diariamente partos de 5.914 crianças de famílias que moravam na zona urbana da cidade e as mães foram entrevistadas logo após o parto e em algumas oportunidades posteriores durante esse período, culminando em 2012 com uma nova avaliação de dados.

As conclusões apontam, nessa população estudada, para diferenças significativas com melhor desempenho nas crianças que tiveram o AM por um ano ou mais em relação às que foram amamentadas por menos de um mês, no que diz respeito ao QI, anos de estudo em escolas e maior ganho mensal. A análise sugeriu que o QI mais elevado foi responsável por 72% do efeito nos ganhos.

Os autores entenderam que o acompanhamento por 30 anos, a ausência de acompanhamento diferencial com respeito à duração do aleitamento materno e outros fatores do estudo sugerem que os resultados apresentados não devem ter sido afetados por nenhuma influência ou tendência.

Porém, o estudo apresenta algumas limitações potenciais pela forma de obtenção dos dados (a duração do AM foi analisada na idade de 19 meses para 96% da amostragem e aos 42 meses para o restante).

Os dados sobre rendimentos foram obtidos perguntando sobre os ganhos do último mês anterior à entrevista. Ocorreu flutuação no rendimento mensal, mas no Brasil não se faz avaliação de rendimento anual.

Não foram feitos testes de QI nos pais, porém foi incluído o nível educacional dos pais e isso foi levado em conta nos resultados.

Alguns pontos merecem uma reflexão:

  1. Pelotas é uma cidade em que o aleitamento materno é culturalmente e historicamente relevante. Será que existe uma reprodutibilidade de dados em outros centros (interior, praia, outros países)?

  2. Muitos fatores durante 30 anos poderiam ter contribuído para o resultado final de QI e ganhos financeiros, visto que o aleitamento materno teve sua limitação. Assim, fatores sociais, características de saúde individual, vínculo e estrutura familiar, alimentação, atividade física regular, entre muitos outros, podem ter sua parcela de responsabilidade ao fim da pesquisa.

  3. Há o risco de uma mãe, que não amamentou seu filho, considerar-se responsável pelo seu futuro, baseada apenas nesse dado.

  4. E o que dizer das pessoas nesses mesmos 30 anos, bem sucedidas intelectual e financeiramente, que não receberam leite materno além dos 2 meses? Como então justificar o seu sucesso?

Só o tempo e mais estudos podem, a partir de agora, trazer essas contribuições. O que é inegável é que o leite materno só traz benefícios no que diz respeito à saúde física, social, cultural e de vínculo à família e ao bebê.

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