Os riscos do uso da maconha durante a amamentação

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O Huff Post Parents traz uma matéria interessante que levanta um bom debate nos dias de hoje. De um lado: uma mãe recém-parida, em Oregon, que diz que quer amamentar o seu bebê, mesmo sendo usuária de maconha regularmente. Do outro lado: os médicos que dizem que estão preocupados com os riscos da droga para o cérebro do bebê. 

A mãe, Cristal Cain, é portadora de um cartão de usuária de maconha medicinal. Iniciou o uso da droga, seguindo o conselho de sua parteira, para tratar ansiedade e náuseas.  Seu bebê nasceu prematuro e Cain havia planejado amamentar a criança por causa dos conhecidos benefícios do aleitamento materno. 

Mas os médicos do hospital onde o bebê nasceu não permitiram que Cain amamentasse até que ela assinasse um termo, reconhecendo os riscos potenciais do uso de maconha durante a amamentação. A mãe alega em sua defesa que não podem proibi-la de amamentar porque não há informação suficiente sobre os riscos desta prática. A ciência não realiza estudos suficientes sobre este tema. 

É verdade que poucos estudos analisaram os riscos de usar maconha durante a amamentação, e muitos dos estudos que se debruçaram sobre esta questão foram realizados há várias décadas. No entanto, várias organizações, incluindo a Academia Americana de Pediatria, desencorajam o uso de maconha por mães que amamentam devido à preocupação de que a droga possa afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê. 

O que está claro até agora é que a droga pode passar para o leite materno e para o corpo do bebê. O ingrediente ativo da maconha, o tetrahidrocanabinol, (THC), é solúvel em gordura e pode ser armazenado no tecido adiposo por um bom tempo. Qualquer droga que é solúvel em gordura fica também depositada no leite materno. Ele tem muita gordura e essa é uma das razões para ele ser bom para o bebê. Quanto mais maconha a mãe fuma, maior será a quantidade de THC no seu leite materno. 

Bebês que foram amamentados por mulheres que fumam maconha podem ter um teste de urina positivo para a droga por até três semanas.  No entanto, a quantidade de THC que é transferida para o bebê através da amamentação não é suficiente para produzir dependência. 

Há também alguma preocupação de que fumar maconha possa diminuir os níveis de prolactina das mães, o hormônio necessário para a produção do leite materno. Um estudo de 1990 descobriu que a exposição do bebê ao THC, no primeiro mês de vida foi associada com a redução de habilidades motoras e de coordenação na idade de 1 ano. Os médicos também observaram letargia, alimentação menos frequente e menos tempo de amamentação em bebês expostos ao THC, de acordo com uma revisão de 2005 sobre o tema, publicada na revista Canadian Family Physician. 

No entanto, outro estudo realizado na década de 1980 não encontrou diferenças no desmame, crescimento ou desenvolvimento mental entre as crianças expostas à maconha durante a amamentação e as não expostas, de acordo com uma revisão de 2009. Nenhum estudo analisou ainda os possíveis efeitos, a longo prazo, da exposição à maconha durante a amamentação. A revisão de 2009, alega que há preocupação de que o THC possa alterar o metabolismo das células cerebrais, ou seja, a forma como o cérebro do bebê cresce no primeiro mês de vida. 

O caso Cristal Cain 

No caso de Cristal Cain, os estudos ajudam menos ainda, pois os riscos para um bebê prematuro podem ser muito maiores. Os bebês prematuros já estão sob estresse neurológico mais grave. 

Uma droga que altera o humor e a percepção, como a maconha, pode também afetar a capacidade das pessoas de cuidar de seus filhos, num momento em que o bebê é completamente dependente. 

O tabagismo, em geral, também não é recomendado para as novas mães, pois está relacionado a um maior risco de doenças, como asma e síndrome da morte súbita infantil. 

Diante de um quadro tão delicado, não é mais possível evitar a discussão. A amamentação tem muitos benefícios conhecidos, o que leva a alguns médicos a defenderem uma abordagem diferenciada para o uso da maconha durante a amamentação, em oposição a uma proibição total. 

A LactMed, um banco internacional de dados que tem informações sobre o uso de drogas e químicos durante a  amamentação, defende que “o uso da maconha deve ser minimizado ou evitado por mães que amamentam”. Mas o banco de dados também observa que há pouca evidência de danos graves, então parece preferível incentivar as mães que usam maconha a manter a amamentação, minimizando a exposição do lactente ao fumo da maconha. 

Uma revisão de 2012 sobre o tema conclui: “Não existem estudos que apoiam a amamentação e o uso de maconha. No entanto, com resultados conflitantes [de estudos], mais estudos e considerações, caso a caso, se justificam em casos de uso ocasional”. 

Já sobre o uso da maconha durante a gravidez, os estudos têm relacionado o consumo da droga a um risco aumentado de baixo peso ao nascer ou de prematuridade. Alguns estudos também sugerem uma ligação entre o uso de maconha durante a gravidez e o aparecimento de problemas de aprendizagem na infância.

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