O que a amamentação significa para as mães soropositivas?

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Os últimos 30 anos têm sido tempos muito difíceis para as mães infectadas pelo HIV e para os profissionais de saúde, devido ao enorme dilema em torno da amamentação.  As mães têm que enfrentar o medo de infectar seus filhos, se os amamentarem.  Esse medo levou agências internacionais e muitos países a promoverem a alimentação dessas crianças com fórmulas e até a distribuí-las gratuitamente a muitas mulheres infectadas pelo HIV. Logo, o pedágio dessa política começou a ser sentido, e os bebês alimentados com fórmula começaram a sucumbir à desnutrição e à morte por diarreia e pneumonia.

Diversos profissionais de saúde buscaram, durante muito tempo, uma saída para as mães infectadas pelo HIV, com o intuito de encontrar formas de tornar a amamentação mais segura. Lentamente, a pesquisa científica começou a dar respostas e o primeiro vislumbre de esperança foi a evidência de que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses (em oposição ao aleitamento misto) reduziu consideravelmente o risco de transmissão do HIV.

Mais recentemente, uma forte evidência indica que desde que as mães recebam a terapia antirretroviral (TARV), durante o período de amamentação, é muito improvável que a criança seja infectada. Este foi um avanço enorme e levou a OMS e a UNICEF a recomendarem fortemente a amamentação para as mães infectadas pelo HIV, desde que estejam recebendo a terapia antirretroviral (TARV) e que sejam incentivadas a praticar o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses.

Que felicidade é poder imaginar mães infectadas pelo HIV confiantes e apreciando a intimidade do vínculo mãe-filho, durante a amamentação. Além dos benefícios bem documentados para a criança, também há benefícios maravilhosos para a mãe. Por exemplo, durante a amamentação, as mães lactantes produzem o hormônio ocitocina, responsável por uma “sensação boa”, deixando as mães com menos probabilidade de ficarem deprimidas. Além disso, o aleitamento materno reduz o risco de câncer de mama e de ovário.

Aqui no Brasil, a recomendação ainda é a de que mães soropositivas evitem o amamentar seus bebês, até pela falta de estudos definitivos sobre o assunto. Assim, o estímulo a essa linha de pesquisa se faz necessário para que possamos, definitivamente, dar um rumo adequado a esse tema.

Conceder e respeitar o direito das mães soropositivas amamentarem é um grande avanço social, pois a amamentação ainda enfrenta a estigmatização e o estranhamento em muitos cantos do mundo. Com demasiada frequência ainda ouvimos histórias sobre mães que são impedidas de amamentar em áreas públicas, mesmo em cidades e estados onde a amamentação em público é um direito legalmente consagrado!

O espaço on-line espelha essa mesma estigmatização da amamentação. Existem exemplos suficientes de mães que já protestaram contra plataformas de mídia social que proíbem a publicação de fotos delas amamentando seus bebês. No entanto, essas mesmas plataformas exibem o seio feminino sem pudor. A mensagem subliminar desta conjuntura social é que é bom ver o seio feminino em exposição, apenas nos casos em que não há um bebê mamando nele!

Empresas de alimentos para lactentes e seu rolo compressor de anúncios atraentes e convincentes de marketing, que negam a superioridade cientificamente comprovada do leite humano sobre os seus substitutos artificiais, conseguiram colocar o leite materno e a amamentação no submundo em muitas sociedades.

Tão importante quanto os bebês que recebem o leite materno é o apoio e o incentivo que as mães precisam receber de suas famílias, dos profissionais de saúde, das comunidades e da própria sociedade, em geral, a fim de amamentar. Apoio significativo requer que toda essa cadeia seja bem informada sobre o aleitamento materno e que os espaços públicos e privados sejam amigáveis para mães que amamentam e seus bebês.

Se as crianças realmente são o futuro de cada um de nós, temos a responsabilidade de assegurar que elas cresçam saudáveis​​. E o primeiro passo, neste sentido, é assegurar-lhes o direito à amamentação.

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