Um bebê com fome não pode esperar: compreender isso pode até impulsionar os negócios

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Amamentar em público tem sido tema de um debate global sobre os direitos das mães e bebês x “o bom comportamento público”, ao longo de décadas. Um novo problema que levantou esta discussão aconteceu recentemente na Inglaterra, quando uma mãe foi expulsa de uma loja por amamentar seu filho.

Segundo informações do The Huffington Post, os funcionários da loja pediram que Wioleta Komar saísse de uma loja da Sports Direct, em Nottingham, Inglaterra, por amamentar seu filho de 3 meses no interior da loja. Eles alegaram que a expulsão era devida à política da empresa.

Outros clientes, indignados com a ação da empresa, ajudaram Wioleta Komar a sair da loja com o carrinho de bebê para que ela pudesse alimentar seu filho do lado de fora, na chuva. Horas mais tarde, mais de 100 mulheres se reuniram em frente à loja para realizar um mamaço.

Muitas vezes considerado como um método de protesto, os mamaços estão emergindo como uma ferramenta poderosa para acabar com os mitos sobre o aleitamento materno, tanto nos Estados Unidos e na Inglaterra, quanto aqui mesmo, no Brasil. Ao longo dos últimos anos, têm ocorrido mamaços em muitos estabelecimentos incluindo aeroportos, lojas, centros comunitários, parques.

E enquanto as mulheres envolvidas nesses incidentes, muitas vezes, só recebem pedidos de desculpas dos proprietários e dos porta-vozes dessas organizações, as empresas, mundo a fora, continuam a ignorar leis que existem para proteger o direito de uma criança ser amamentada em público. E essa atitude pode colocar muitas empresas em risco econômico.

Muitas organizações encaram a conveniência de uma mãe alimentar uma criança em um local público como um incômodo ou uma perturbação da ordem do dia. Mas amamentar em público é uma prática legal, não é um crime ou uma contravenção.

A visão de uma mulher amamentando seu filho em público pode ser ofensiva para alguns. Nos Emirados Árabes, é lei que as mães amamentem seus filhos durante dois anos, mas elas não podem fazer isso em público.

A amamentação em público é protegida no Reino Unido através da Lei de Igualdade de 2010. Nos Estados Unidos, todos os 50 estados aprovaram legislação que protege as mulheres de serem processadas ​​por amamentar em público.

No Brasil, o Ministério da Saúde publicou, em 2010, uma Cartilha para a mãe trabalhadora que amamenta, assegurando, entre outros direitos e benefícios, a segurança no trabalho até o 5º mês pós-parto, a licença–maternidade de 120 dias (em alguns casos, quando a saúde do filho o exigir, 180 dias, mas ainda não com força de lei), duas pausas de 30 minutos cada durante a jornada de trabalho para amamentar. Não existe uma legislação específica que proteja a mãe que queira ou precise amamentar seu filho em público. Em dezembro de 2013, foi proposto um projeto de lei, prevendo multa para o estabelecimento que causar qualquer constrangimento ou proibir uma mãe de amamentar em suas dependências. Atualmente, esse projeto, segundo relatório da Câmara Municipal de São Paulo de 30/06/2014, ainda está em 1ª fase de discussão (aprovação mediante voto favorável da maioria simples).

Praticamente todas as organizações de saúde americanas, incluindo a Academia Americana de Pediatria e a Força Tarefa da Casa Branca Contra a Obesidade já emitiram declarações de apoio à amamentação em público. Por aqui, a situação é semelhante, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde são dois porta-vozes da causa.

No entanto, muitas vezes, este importante tema de saúde pública é retratado apenas como um problema social das mulheres. O que é menos conhecido é a biologia que impulsiona o aleitamento materno. A mãe que está amamentando vai produzir leite em intervalos regulares como uma consequência direta dos hormônios controlados pela alimentação infantil. Assim como um bebê com fome precisa ser alimentado, uma mulher que amamenta precisa dar de mamar. As duas necessidades juntas devem ser vistas como uma dupla, como uma necessidade biológica simbiótica, como algo que não é realmente uma escolha. E também não é voluntário.

Atrasar a alimentação de um bebê com fome acarreta nas consequências óbvias de fome e mau humor para a criança, mas também pode representar riscos de saúde para a mãe, como ingurgitamento mamário, dutos obstruídos e uma infecção chamada mastite. A oferta de leite materno também pode diminuir, levando ao desmame precoce. Esses resultados têm custos mais elevados.

Se as crianças dos Estados Unidos fossem amamentadas exclusivamente por seis meses, cerca de 13 bilhões de dólares em cuidados de saúde seriam poupados anualmente, de acordo com os dados do the U.S. Surgeon General.

De acordo com a UNICEF, o aumento da prática da amamentação, em muitos países, resultou em 39% de todas as crianças do mundo em aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. A amamentação tem o maior impacto sobre a sobrevivência de uma criança e pode evitar mais de 800.000 mortes de crianças por ano no mundo em desenvolvimento.

No entanto, o período de tempo que uma mãe amamenta continua a ser pequeno. Menos de 16% das novas mães que começam a amamentar seus recém-nascidos consegue manter o aleitamento até que a criança atinja seis meses de idade.

Amamentação em público x imagem das empresas

A amamentação não é apenas importante para a saúde, mas também para a economia. Lojas, empresas e negócios precisam reconhecer a necessidade do aleitamento materno. As mulheres controlam 20 trilhões de dólares dos gastos dos consumidores em todo o mundo e representam 80% dos gastos dos EUA e 65% da despesa global, de acordo com o Banco Mundial. Milhões de mulheres nesse imenso contingente podem estar amamentando.

Além dos benefícios para a saúde e da necessidade fisiológica de alimentar uma criança com fome, acomodar as mães que amamentam, em vez de expulsá-las, pode impulsionar as vendas, bem como conquistar a fidelidade do consumidor. Enquanto muitos vão argumentar que o aleitamento materno em público é bom para a mãe e a criança, os mamaços na frente das lojas e das empresas podem não ser assim tão bons para os negócios.

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