Leite fraco… Você acredita nisto?

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Outra crença popular que persiste durante décadas e ainda precisa ser esclarecida para que não haja crise de consciência e preocupação das mães em relação a seus bebês é aquela história de leite forte e leite fraco. Vale repetir, ainda mais essa vez e tantas quantas forem necessárias: não existe leite forte e/ou leite fraco. Existe muito leite ou pouco leite. Assim, a livre-demanda estimula a produção do leite. Quanto mais o bebê mamar, mais leite materno vai ser produzido.

Então qual a razão para essa crença? A do pouco leite é porque a mãe não vê quanto o bebê mama. A do leite forte ou fraco pode estar relacionada ao que a mãe vê. O leite materno tem algumas características únicas que merecem ser lembradas:

  • Ele é o leite próprio da espécie, tendo em sua composição os nutrientes em quantidade e proporções adequadas a cada fase de desenvolvimento do bebê. Assim, quando dizemos que o aleitamento materno pode durar 2 anos ou mais, a principal questão que aparece – se após um ano ou até dois anos de idade o leite materno tem os nutrientes necessários – fica fácil de se responder. Até os 6 meses TUDO o que o bebê precisa está no leite materno. Após os 6 meses, a alimentação complementar “complementa” o que ele precisa e não tem no leite materno. Mas ainda assim, o leite materno é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequados a cada fase de sua vida;
  • O leite muda de sabor de acordo com o começo, meio e fim da mamada e com a alimentação materna. Assim, é importante que a mãe tenha uma refeição saudável, variada e adequada, para que quando esse bebê passar a se alimentar, não encare aquele sabor da fruta ou do legume como uma novidade. Vai ser já um sabor conhecido;
  • Ficou muito difundida e divulgada a ideia de o leite ser diferente do começo (mais rico em água, proteínas e carboidratos, ajudando na “sede” por hidratação da criança e energia para formação e desenvolvimento dos órgãos) ao final da mamada (mais rico em gordura, sendo responsável maior pelo crescimento – engordar e crescer – e pela sensação de saciedade).

Isso trouxe algumas informações “quase verdadeiras”, mas um pouco distorcidas:

  • Uma delas é a de que o bebê tem que mamar APENAS um seio por mamada, por decreto e, no máximo, por 15 a 20 minutos. Dessa forma, o bebê esvaziaria o seio e estaria garantido o seu crescimento e sua saciedade. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que sejam oferecidos os dois seios em cada mamada (o primeiro até o final). Quem deve decidir se a mamada vai constar de um ou dos dois seios é o bebê e cada mamada não deve ter tempo estipulado;
  • A outra é que, até pela composição do leite do início (com muita água, carboidratos e proteínas) ser diferente do leite do final (gordura), a sua aparência é diferente. Assim, quando a mãe vai tentar retirar seu leite para ver se tem bastante e se ele é “forte”, ela se assusta por notar que ele é ralinho, clarinho.

Mais uma vez, uma imagem vale mais do que mil palavras. Ver a diferença entre os tipos de leite auxilia a eliminar os preconceitos a respeito do leite materno, que podem ser abordados de forma clara, simples, trazendo à consciência das mães e das famílias a importância do estímulo ao aleitamento materno, desde a primeira hora, exclusivo e em livre-demanda até o 6º mês de vida, estendido até 2 anos ou mais.

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2 comentários sobre “Leite fraco… Você acredita nisto?

  1. CATIANA FERNANDES FERREIRA SILVA disse:

    Olá Doutor Moisés,

    Quando minha filha estava com 11 meses ela teve encefalite pós-vacinal ficou internada durante 4 dias em estado grave. Graças a Deus e ao aleitamento materno ela se recuperou de forma rápida. Essas foram as palavras utilizadas pelo neurologista que cuidou dela, durante o período em que ela ficou hospitalizada. E ele ainda, repetia com ênfase durante as orientações ” o melhor alimento do mundo: é o leite materno!” Como é bom ver outros profissionais da saúde apoiando a amamentação.
    É uma pena que há outros que não consideram a amamentação, após os 6 meses, como um fator primordial para garantia da saúde e do desenvolvimento da criança. Como eu acredito, e apoio a amamentação prolongada, ainda amamento minha filha de 2 anos e 2 meses, porque os benefícios desse leite forte e sagrado são evidentes na vida dela.

    Curtido por 1 pessoa

    • Doutor Moises Chencinski disse:

      Catiana, com certeza o aleitamento materno, mas também a assistência desse neurologista consciente, puderam trazer de novo a paz e a saúde à sua família.
      Por que razão, a Organização Mundial de Saúde estabeleceria o aleitamento materno desde a sala de parto, esclusivo e em livre-demanda até o 6º mês, estendido até 2 anos ou mais como meta? Algum lobby? De quem?
      Acho que não né? Rsrsrss.

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