Amamentar gêmeos: uma dupla felicidade – parte 01

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Sempre que se pensa em gêmeos, a primeira ideia que aparece é a de trabalho e gasto dobrado. Quem fica sabendo da notícia, olha para a cara dos pais como se eles estivessem indo para uma execução (coitados, não é?). Mas, pela experiência e contato com as mães de gêmeos, o que mais escuto é que o prazer, a felicidade e o amor são dobrados e, após o “susto inicial”, começa um lindo caminho de parceria e, muitas vezes, com um vínculo e um apoio da família maior do que os de gestação única.

Numa grande parte das vezes, o parto gemelar acaba acontecendo antes do tempo. Assim, as consultas do pré-natal são fundamentais. Assim, as necessidades de ferro, ácido fólico, calorias na alimentação, que podem ser maiores pelas necessidades dos bebês, durante a gestação, devem ser supridas para que tudo transcorra na mais perfeita ordem.

E, talvez, diferente do que acontece em situações de gestações de uma criança única, os cuidados e os preparos começam antes, até pelo inesperado da situação, desde o quarto, as roupinhas, até mesmo as dúvidas a respeito de amamentação, fraldas, e outros assuntos do dia-a-dia que se aproxima.

Conforme sugere a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), vale a pena fazer uma primeira consulta com um pediatra, a partir da 32ª semana de gestação, ou antes, se perceberem uma movimentação uterina maior, que possa acelerar o parto.

Nessa consulta, o pediatra pode lembrar ao casal que o leite materno contém todos os nutrientes necessários aos bebês, favorecendo a imunidade através dos anticorpos maternos, auxiliando no seu crescimento e desenvolvimento mental; tem uma digestão apropriada, por ser o “leite da espécie”; promove uma melhor adaptação futura a novos alimentos; protege contra a alergia alimentar, a obesidade infantil, além de fortalecer um vínculo importantíssimo entre a mãe e a criança.  Além disso, ele já vem pronto, não requer nenhum cuidado a mais para armazenamento, estocagem e reutilização.

É no momento desta consulta (além de todas do pré-natal com o obstetra) que se começa a trilhar o caminho para a geração dos 100 anos (essa é a proposta da SBP) – uma geração com saúde.

A pressa é inimiga da perfeição. Será? 

Muitas vezes, os bebês não ficam confortáveis dentro do útero, por conta de seu crescimento e da oxigenação insuficiente para os dois e o parto pode acontecer antes do previsto (parto prematuro antes de 37 semanas).

Hoje, já há estudos que mostram que, mesmo em caso de gemelares, não se fecha o prognóstico de uma cesariana, sendo que, dependendo do tamanho e da posição dos bebês e do estado de saúde da mãe e dos gêmeos, o parto vaginal não só é possível, como pode ser tão seguro quanto uma cesariana, conforme foi publicado em uma matéria do New England Journal of Medicine (03/10/2013). Há inclusive um vídeo interessante na própria matéria que ilustra esse estudo.

Nesse caso, os bebês podem nascer pequenos e aí costumam ficar mais do que os 3 dias habituais na maternidade. Mesmo assim, a mamãe já poderá iniciar a oferta do leite que cura, do leite que para os prematuros é mais do que comida: é remédio, é saúde: O LEITE MATERNO.

Os bebês, se em condições apropriadas, podem ser estimulados a sugar diretamente do seio materno, ou o leite pode ser retirado (bancos de leite das maternidades são ótimos aliados nesse processo) e oferecido em copinhos (não na mamadeira) enquanto estiverem internados. 

Nada acontece por acaso

A natureza sabe o que faz. O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, adequado a todos os recém-nascidos (gosto dessa frase).

Dentro das possibilidades, desde a primeira hora de vida (lembrem-se que eles saem em momentos distintos e podem mamar um de cada vez), inicia-se o estímulo ao aleitamento (além do contato pele a pele, que pode favorecer uma boa formação da flora intestinal, além do fortalecimento do vínculo).

Após a alta, em casa, com mais calma e com o apoio da família, é possível, sim, fazer o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de gêmeos. Que fique claro que não é fácil, que pode ser trabalhoso, que a mãe vai necessitar de todo o suporte disponível, mas… é possível.

Poderá ser necessário que a mãe receba uma alimentação com cerca de 500 calorias adicionais (equilibradas) para poder suprir a demanda dos bebês. De qualquer forma, a maioria das mães pode ter leite suficiente para amamentar gêmeos. E isso é a base (além da vontade, do desejo de amamentar).

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