Dúvidas e mais dúvidas, quando o assunto é amamentação – parte 02

Baby breastfeeding

01)  Em algum momento durante o curso da amamentação, a mulher pode sentir seus seios doloridos ou notar um pequeno nódulo nas mamas, que dói quando ela o toca. Este nódulo pode ser o resultado de um duto de leite entupido, fruto de uma mudança abrupta na programação de alimentação, da drenagem inadequada da mama ou do uso de roupas ou sutiãs muito apertados. Um duto entupido deve ser tratado imediatamente, pois pode levar a uma infecção da mama. A mãe pode continuar amamentando, mesmo com uma inflamação de duto?

Dr. Moises Chencinski – Não só pode como deve porque amamentar é parte do tratamento da obstrução. Mesmo assim, é importante que ela tenha a supervisão de seus médicos (ginecologista e pediatra) para que se possa, precocemente, tomar as atitudes adequadas no sentido de evitar as infecções (mastite, por exemplo) e de proteger o aleitamento.

02)  Algumas mães continuam amamentando seus filhos, mesmo depois do seu primeiro aniversário. Nesta fase, com o consumo de uma ampla variedade de alimentos sólidos, qual o verdadeiro papel do leite materno do ponto de vista nutricional? Há algum ponto conhecido em que o leite materno torna-se nutricionalmente insignificante?

Dr. Moises Chencinski – O leite materno é adequado em qualquer faixa etária. Haverá um momento em que a própria criança deixará de mamar, não terá mais anecessidade do leite materno. Nos últimos 100 anos, a recomendação de aleitamento materno passou da faixa dos 6 meses para 2 anos ou mais. Hoje, se defende a ideia de desmame natural, ou seja, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que isso ocorra. 

03)  A Semana Mundial de Aleitamento Materno deste ano destaca a importância dos círculos de apoio à mulher que amamenta. Qual deve ser o papel do pai durante o período de aleitamento materno?

Dr. Moises Chencinski – Nas últimas décadas, o pai já está mais próximo de sua família, como parte integrante do processo da gestação, parto e aleitamento, acompanhando o crescimento e o desenvolvimento de seus filhos muito mais de perto, participando da dinâmica do cuidado da criança nas consultas, em casa, na sociedade. Infelizmente, ainda temos a “ridícula e vergonhosa” licença-paternidade de um dia pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho de 1º de maio de 1943) que a Constituição Federal (de 5 de outubro de 1988) “ampliou” para 5 dias, contados a partir do 1º dia útil após o parto, independente de ter sido um ou mais filhos. Para que o pai possa assumir um papel mais determinante e mais ativo no processo, seria necessário que se reconhecesse de fato a sua importância, como acontece, por exemplo, em países como a Alemanha, onde a licença-maternidade remunerada chega a 12 a 14 meses, desde que os 2 últimos meses sejam usufruídos pelo pai.

04)  Frequentemente, aos seis meses de idade, e em alguns casos, antes, aos quatro meses, alguns bebês perdem completamente o interesse na amamentação. Este período geralmente coincide com a volta da mãe ao trabalho. Existe algo que possa ser feito para reverter esta situação?

Dr. Moises Chencinski – Esse é um panorama cada vez menos frequente. O bebê quer mamar. A mãe quer amamentar. O que poderia ser feito? A regulamentação que determina a licença-maternidade de 6 meses após o parto ainda não tem a força e a obrigatoriedade necessárias. Essa licença é facultativa ao empregador e trocada por benefícios fiscais. Até hoje, na maior parte do país, a licença-maternidade é de 4 meses. Mesmo assim, costumamos orientar que a mãe busque um banco de leite ou converse com seu pediatra para poder retirar o seu leite e armazená-lo (congelado) para que possa ser oferecido ao seu bebê quando ela retornar ao trabalho, em copinho (nunca mamadeira). Para isso, seria fundamental que as empresas oferecessem condições de retirada e armazenamento do leite materno. Pouca gente sabe que a Rede de Banco de Leite Humano (RBLH) do Brasil é considerada uma das melhores do mundo e foi citada, por exemplo, em 2012 pelo 2º jornal em circulação em língua inglesa no mundo (The Guardian), como padrão a ser seguido pelos países europeus.

05)  Mães de primeira viagem se preocupam se seus filhos estão bem nutridos. Com o aleitamento materno, não é possível medir exatamente a quantidade de leite que os recém-nascidos tomam. Nestes casos, como uma mãe pode se certificar que seu bebê está recebendo leite suficiente para seu desenvolvimento?

Dr. Moises Chencinski – Se uma mãe fez seu pré-natal adequadamente, teve seu parto bem acompanhado e faz suas consultas pediátricas pós-parto de rotina regularmente (puericultura), esse acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento de seu bebê será avaliado durante as consultas. Sempre é fundamental que a mãe tenha acesso ao pediatra sempre que houver necessidade, especialmente quando o tema é aleitamento materno. O pediatra poderá tranquilizar essa mãe quanto a essa questão.

 

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