Dúvidas e mais dúvidas, quando o assunto é amamentação – parte 01

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01)  A amamentação é um presente maravilhoso tanto para a mulher, quanto para o bebê. Muitas mães sentem imensa satisfação e alegria com a comunhão física e emocional que a experiência proporciona. Estes sentimentos são ampliados pela liberação de hormônios como a prolactina, que produz uma sensação de paz e carinho que permite a mãe relaxar e se concentrar no filho, e ocitocina, que promove um forte sentimento de amor e apego entre mãe e filho. Estes sentimentos agradáveis ​​podem ser uma das razões pelas quais tantas mulheres que amamentaram seu primeiro filho optam por amamentar também os filhos que seguem?

Dr. Moises Chencinski – Sem dúvida, uma experiência bem sucedida pode gerar um hábito favorável no caminho do aleitamento materno. E, mais do que isso, pensando-se até na Semana Mundial de Aleitamento Materno desse ano, a importância dessas mães na transmissão de suas experiências a outras mães que ainda estão em dúvida ou com dificuldades em amamentar. É muito mais comum e mais fácil ouvirmos as experiências negativas, os problemas e muito pouco se comenta a respeito das boas experiências, dos sentimentos de amor e doação envolvidos no aleitamento.

02)  Uma das vantagens da amamentação exclusiva – sem água, suco, fórmulas, sólidos ou outros suplementos para o bebê – é que ela reduz significativamente a chance de engravidar novamente durante os primeiros seis meses após o parto porque atrasa a retomada dos ciclos ovulatórios. Se o bebê tem menos de seis meses de idade e a menstruação da mulher ainda não está regularizada, quais são as chances dela engravidar novamente, mesmo sem o uso ativo de métodos contraceptivos?

Dr. Moises Chencinski – Essa chance existe, apesar de estar reduzida. É fundamental que se receba a orientação pós-natal ginecológica, assim como a regularidade das avaliações do pré-natal, com aconselhamento de alimentação, vacinação, cuidados e o estímulo ao aleitamento materno. Mesmo amamentando, ainda há o risco de engravidar novamente. Assim, deve-se seguir as recomendações obtidas em consultas pós-parto com o obstetra / ginecologista até mesmo para receber uma orientação anticoncepcional adequada nessa fase.

03)   É preciso acabar com o mito que o tipo de parto – natural ou cesárea- interfere na produção de leite da mãe. Como é especialmente importante iniciar o aleitamento materno o mais cedo possível, qual a recomendação para as mães que receberam anestesia e medicamentos para a dor, elas podem amamentar logo após o parto?

Dr. Moises Chencinski – Qualquer mãe que não tenha tido qualquer tipo de problema em sala de parto que a impossibilite de amamentar pode e deve oferecer os seios para seus bebês recém-nascidos desde a primeira hora de vida. Para isso é importante contar com o apoio do pai, até na sala de parto, para que ele possa, desde esse momento, se envolver no vínculo que será muito favorável ao aleitamento. Há estudos que comprovam a influência positiva do apoio e suporte do pai no aumento da duração do aleitamento materno exclusivo.

04)  Não é surpreendente que a experiência do parto, seguida de uma quantidade significativa de privação de sono e da vivência de uma nova estrutura familiar possa modificar o relacionamento do casal. Muitos pais são surpreendidos pelas mudanças em seus sentimentos e sobre o seu desejo de contato sexual. Algumas mães que amamentam (e seus parceiros) experimentam diminuição do desejo sexual durante certas fases da maternidade, enquanto outras experimentam mais desejo. Qual a regra para esses casos?

Dr. Moises Chencinski – Não há uma regra para esse tipo de situação. Cada uma delas deve ser avaliada e conversada. Nesse momento, o foco da vida da mãe é seu bebê. Se o pai se envolve nessa fase, tanto dando o apoio adequado ao aleitamento, quanto estreitando os vínculos familiares, comparecendo, porexemplo, às consultas pediátricas para se inteirar do crescimento e do desenvolvimento de seu bebê, essa fase poderá ser ultrapassada sem riscos ao relacionamento do casal. Quando ambos estiverem preparados (marido e mulher), e eles com certeza estarão, a volta à atividade sexual será um passo natural.

05)  Algumas mães acreditam firmemente na amamentação sob demanda e outras acham que a falta de horários apropriados para amamentar pode resultar em bebês mimados. Há certo e errado nesta história? Como uma mãe que opta pela amamentação sob demanda pode conseguir um tempo livre para realizar suas próprias atividades, sem ter que estar 24 horas à disposição do bebê?

Dr. Moises Chencinski – A livre-demanda é caracterizada quando o bebê mama sempre que quiser mamar e a mãe oferece os seios sempre que ela quiser também. A questão está em compreender que aos poucos o bebê vai regular suas necessidades e as mamadas se tornarão mais “organizadas” do ponto de vista do “relógio dos adultos”. Para isso é importante que a mãe tenha apoio nos cuidados domésticos e possa se dedicar com mais empenho ao aleitamento materno. Mesmo assim, cada caso é um caso e precisa ser avaliado individualmente. O aleitamento materno exclusivo em livre-demanda é uma prática de promoção à saúde e não uma seita religiosa extremista. Ninguém deixa de ser uma boa mãe se não conseguir amamentar ou seguir essa rotina. O amor pode ser demonstrado de muitas formas. Essa é uma delas, importante sim, mas não exclusiva. Amamentar é um ato de amor, mas não o único. 

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